quarta-feira, 19 de maio de 2010

Iniciação à Estética



Lhe escrevi aquela carta apenas para afargar-lhe os cabelos e inquietar o peito. Na verdade, nunca te amei, sempre vi em você apenas um homem fraco. E sabe o que dizem, não existe nada pior que um homem fraco.
Me alegra pensar na êxito do meu plano: imaginar sua impaciência, seu segundo de vaidade, sua decepção de não retribuir meus sentimentos. Pois bem, se alivie, foi apenas uma ilusão estética do meu eu-lírico byroniano; a reflexão de um poeta que eu vejo no espelho, mas não sinto na pele.
Admito a minha falta de classe em jogar com um sentimento tão forte quanto a paixão, e creio que sabes bem como um dia eu vivi de paixão.
Então acredite, infelizmente, esse dias passaram e você é só mais um dos meus personagens de roteiros nunca escritos, de filmes nunca gravados.
Mas também não faça essa cara de orgulho ferido misturada com incredulidade das minhas palavras, pois no fim, você ficou com a minha frase mais bonita e minha carta mais singela.

domingo, 9 de maio de 2010

O paradoxo de acreditar em almas gêmeas quando não se acredita em almas é tão ridículo que me faz rir. É algo como funcionalismo público, perde o sentido quando as pessoas param de se esforçar, e começam a ficar ali só matando tempo e aumentando gastos. Ou como a busca do Santo Graal, fora a probabilidade mínima de achar, mesmo se achar como ter certeza de que realmente é real?
No entanto, o paradoxo estrangula quando não se pode consegue esquecer alguém que te marcou com ferro quente. Quando mesmo depois de todos os erros serem cometidos; todo o drama mexicano, o vazio iraniano, o estresse americano, a amargura japonesa, a solidão alemã, o samba brasileiro. Mesmo assim, lhe sua as mãos e lhe vira o estômago, e principalmente, te aperta a certeza de que nunca vai esquecer ou superar aquele sorriso que te fez tocar o céu.

quarta-feira, 5 de maio de 2010



...E quando eu respondia pacientemente que era brasileira, as pessoas me olhavam como se isso realmente fizesse alguma diferença na vida delas. Era como entrar em contato com um mundo de fantasias e carnavais. Mal elas sabiam que de onde eu venho, tudo é branco e cinza, just like here.

terça-feira, 4 de maio de 2010


Estou perdida de novo. Com essa angústia no peito, essas mãos trêmulas e esse olhar distante. Sempre tive isso. Essa vontade de não perder tempo, viver a vida ao máximo, aprender tudo que se tem pra aprender. No entanto, essa vontade é tão grande que me paralisa, me faz ter que controlar minha respiração, ter que escrever por horas essas frases sem sentido... que ninguém nunca vai ler.